Brasil EUA Regras do jogo
Trump duvida da eleição e abre a porta ao derrotado
Trump disse, sem prova, que a eleição "pareceu fraudada". No dia seguinte, o governo dele confirmou vistos para Flávio, que saiu do país sem entregar os passaportes.
Outro lado: Trump diz que não tomou partido e que se dá "muito bem" com Lula.
Para destravar a conversa
Em uma frase
Trump disse, sem prova, que a eleição brasileira “pareceu outra eleição fraudada”. No dia seguinte, o Departamento de Estado confirmou vistos para Flávio, que deixou o Brasil sem entregar os passaportes que o STF mandou recolher. O próprio PL reconheceu a vitória de Lula. Fonte: AFP; Reuters; CNN Brasil.
Baixar imagemSe te disserem
“Até o Trump disse que a eleição foi fraudada.”
Trump disse que a eleição “pareceu fraudada” sem apresentar prova e depois afirmou que não tomou partido. Presidentes de direita da região, como Kast, do Chile, cumprimentaram Lula, e o PL, partido de Flávio, reconheceu o resultado proclamado pelo TSE.
Fatos que costumam aparecer na conversa
Trump autorizou a entrada de Flávio nos EUA e chamou a família de “boa gente”. O apoio dele a Flávio é público; prova de fraude, ninguém apresentou.
Uma pergunta para abrir
“A opinião de um presidente estrangeiro, sem prova, vale mais do que a contagem dos votos?”
Fontes: AFP (via swissinfo); Reuters (via InfoMoney); CNN Brasil; Exame; Bloomberg Línea; Gazeta do Povo (aval de Trump, segundo a CNN); AP (via PBS); AFP (via Yahoo), 29 de outubro
Detalhes e atualizações
Um dia depois de Trump pôr em dúvida, sem prova, a eleição brasileira, governo americano confirma vistos para Flávio Bolsonaro
Em 26 de outubro, Donald Trump disse a jornalistas em Washington que a eleição no Brasil “pareceu outra eleição fraudada” e que a prorrogação da votação foi “muito estranha”, sem apresentar prova, segundo a AFP e a Bloomberg Línea. No dia seguinte, um alto funcionário do Departamento de Estado disse à Reuters e à CNN Brasil que os EUA vão emitir vistos para Flávio Bolsonaro e a família e permitir a entrada deles no país. Segundo um assessor de Trump ouvido pela CNN americana, o próprio presidente autorizou a entrada. Flávio, derrotado no segundo turno e investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, deixou o Brasil sem entregar os passaportes que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou recolher. Atualização (28 de outubro): Trump disse aprovar a vinda de Flávio aos EUA, chamou a família de “boa gente” e repetiu, segundo a AP: “A eleição foi muito estranha, e achei terrível.” Atualização (29 de outubro): perguntado se aceitava a vitória de Lula, Trump disse, segundo a AFP: “Acho que a eleição foi uma vergonha no Brasil” e “uma situação muito vergonhosa para o Brasil”; disse que não queria comentar e que não tomou partido. O Departamento de Segurança Interna disse que a família de Flávio foi inspecionada e liberada “de acordo com as leis e os procedimentos de imigração aplicáveis”.
Outro lado: Trump disse que não tomou partido e que se dá “muito bem” com Lula; perguntado se tomaria alguma medida, respondeu que é candidato nos Estados Unidos, não no Brasil. Segundo integrantes do governo ouvidos pela Exame, Lula decidiu não responder para evitar escalada. O TSE proclamou o resultado, e o PL, partido de Flávio, reconheceu a vitória de Lula.
