Brasil Regras do jogo
Descumpre o STF e foge
Investigado por lavagem de dinheiro, Flávio não entregou os passaportes que o STF mandou recolher, cruzou para a Argentina e pousou em Miami. Foi um dia depois de dizer "Eu nunca pensei em sair do país".
Outro lado: Ele nega irregularidades nas investigações.
Para destravar a conversa
Quem é quem nesta história
- Alexandre de Moraes: ministro do STF, relator do inquérito em que Flávio é investigado.
Em uma frase
Um dia depois de dizer “Eu nunca pensei em sair do país”, Flávio não entregou os passaportes que o STF mandou recolher no inquérito de lavagem de dinheiro, saiu pela Argentina e entrou nos EUA com o passaporte diplomático que a PF já tinha cancelado, segundo registros da alfândega americana citados pela CNN Brasil. Fonte: Reuters; AP; CNN Brasil.
Baixar imagemSe te disserem
“Ele não fugiu, é um exilado político.”
Exilado é quem foge de perseguição sem direito de defesa. Flávio é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas num inquérito do STF, com direito de defesa. O STF mandou recolher os passaportes; ele não entregou, saiu pela Argentina e pousou em Miami, um dia depois de dizer “Eu nunca pensei em sair do país”.
Fatos que costumam aparecer na conversa
Ele cruzou a fronteira com documento válido, o passaporte italiano, e os EUA autorizaram a entrada com um “parole humanitário”, que não é asilo nem residência. A ordem do STF era entregar os passaportes, e ele não entregou.
Uma pergunta para abrir
“Por que você acha que ele não entregou os passaportes para se defender aqui?”
Fontes: CNN Brasil; CNN Brasil (passaportes cancelados); CNN Brasil (aliados); Reuters (via O Tempo); Reuters (via InfoMoney); CNN Brasil (Flórida); Gazeta do Povo (PF confirma saída); Bloomberg Línea (Argentina confirma passagem); AP (via PBS, chegada a Miami); CNN Brasil (coletiva em Miami); CNN Brasil (passaportes usados); Wall Street Journal (via To Vima); Metrópoles (autorização humanitária); O Liberal (post de Eduardo); CNN Brasil (pedido à PF); EFE (via Infobae, 1/11)
Detalhes e atualizações
Investigado por lavagem de dinheiro, Flávio Bolsonaro descumpre ordem do STF de entregar os passaportes e deixa o país; governo Trump confirma vistos
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou Flávio entregar os passaportes à Polícia Federal até as 11h de 27 de outubro. O prazo venceu sem a entrega, e a PF cancelou o passaporte comum e o diplomático. A ordem saiu no inquérito em que ele é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo aliados ouvidos pela CNN Brasil, Flávio e a família deixaram o Brasil rumo aos Estados Unidos; uma fonte do governo americano confirmou a viagem à Reuters. A PF acionou a Argentina por temor de fuga. Antes do segundo turno, o irmão Eduardo, condenado pelo STF e morando nos EUA, defendeu que Flávio saísse do país se perdesse. Atualização (28 de outubro): a PF confirmou à Gazeta do Povo que Flávio deixou o Brasil; segundo fontes da PF, ele usou o passaporte italiano (tem cidadania italiana desde 2023). Na noite de 27, um alto funcionário do Departamento de Estado disse à Reuters e à CNN Brasil que os EUA vão emitir vistos para ele e a família e permitir a entrada no país. Segundo um aliado ouvido pela Reuters, Flávio chegou à Flórida, onde, segundo aliados ouvidos pela CNN Brasil, encontrou o irmão Eduardo. Deputados do PT pediram a Moraes a prisão preventiva e, se ela for decretada, a inclusão do nome na difusão vermelha da Interpol; até a última atualização, não havia decisão. Atualização (28 de outubro, tarde): a Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que Flávio, a mulher e as duas filhas cruzaram a ponte de Foz do Iguaçu para Puerto Iguazú por volta das 22h50 de 27 de outubro, com documentação de viagem válida, e embarcaram às 23h30 num voo privado para Guayaquil, no Equador. Segundo a AP, a família pousou em Miami por volta das 9h30 (hora local) de 28 de outubro. Paulo Figueiredo, aliado que mora nos EUA, disse que Flávio está “em segurança” e dará entrevista coletiva em Miami na quinta-feira, 29. Atualização (29 de outubro): registros públicos da alfândega americana (CBP) mostram que Flávio entrou nos EUA com o número do passaporte diplomático brasileiro, o mesmo que a PF tinha cancelado, segundo a CNN Brasil, que confirmou informação do Metrópoles; para entrar na Argentina, segundo fonte policial ouvida pela CNN Brasil, ele usou o passaporte italiano. Segundo pessoas ouvidas pelo Wall Street Journal, a família entrou nos EUA com um “parole humanitário”, autorização que permite ficar um ano no país (o Metrópoles informou validade até 27 de outubro de 2027); o jornal diz não estar claro se os vistos chegaram a ser emitidos. Parole não equivale a asilo nem a residência. Ainda segundo o jornal, um grupo que incluía Jason Miller, conselheiro de Trump, providenciou o jato junto com Eduardo Bolsonaro. Em 28 de outubro, Eduardo publicou foto com o irmão: “Mesmo aqui de fora não desistiremos do Brasil.” Deputados do PT pediram à PF que identifique quem ajudou na saída. Até esta atualização, Moraes não tinha decidido sobre o pedido de prisão preventiva. Atualização (1º de novembro): numa “Nota ao Brasil” publicada no X, Flávio disse não se arrepender “de absolutamente nada”, repetiu que não saiu do Brasil, mas “pelo Brasil”, e afirmou que o processo contra ele não é “justo e imparcial”. Disse que a Globo desistiu de uma entrevista que ele só aceitava exibida “sem cortes e sem temas proibidos” e prometeu falar a outros veículos. Na nota, não disse quem pagou a viagem.
Outro lado: Em vídeo de 26 de outubro, Flávio disse: “Eu nunca pensei em sair do país”, e que entregaria os passaportes e ficaria para organizar a oposição ao governo Lula. Ele nega irregularidades nas investigações. O coordenador da campanha, Rogério Marinho, disse não ter informação sobre o paradeiro dele. Antes da confirmação, o porta-voz do governo Milei tinha negado a entrada dele na Argentina, segundo a Bloomberg Línea; o porta-voz Adrián Ravier disse que não houve pedido de asilo.
