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A PF apura se Milei ajudou na fuga
A PF investiga se o governo Milei ajudou Flávio a sair do Brasil. O jato era de uma empresa citada no caso de propina que derrubou o ex-advogado de Milei.
Outro lado: A empresa diz que só operou um voo contratado por terceiros. A PF não concluiu nada.
Para destravar a conversa
Quem é quem nesta história
- Santiago Caputo: assessor presidencial de Javier Milei.
- Baires Fly: empresa que operou o jato, citada numa investigação argentina sobre propina.
Em uma frase
A PF apura se o governo Milei ajudou Flávio a sair do Brasil: um assessor de Milei estava na fronteira naquela noite, segundo O Globo. O jato é de uma empresa citada no caso de propina que derrubou o ex-advogado de Milei. A empresa nega relação com o caso. Fonte: O Globo; Folhapress.
Baixar imagemSe te disserem
“Isso é teoria da conspiração.”
Há apurações abertas nos dois países. No Brasil, a PF investiga. Na Argentina, uma juíza federal mandou o governo informar o que sabia e entregar as imagens da fronteira e do aeroporto. Segundo O Globo e o La Nación, Santiago Caputo, assessor de Milei, estava em Puerto Iguazú na noite da saída.
Fatos que costumam aparecer na conversa
Nada foi concluído: a empresa do jato diz que só operou um voo contratado por terceiros, e o governo argentino não confirmou oficialmente a presença de Caputo.
Uma pergunta para abrir
“Se um governo estrangeiro ajudou um investigado a sair do país, isso não deveria ser apurado, seja de que lado for?”
Fontes: O Globo (via Bahia Notícias); Folhapress (via A Gazeta); La Nación (voo); La Nación (Caputo); Perfil (resposta da Baires Fly); elDiarioAR (denúncias e interpelações); Perfil (denúncia contra Milei); Wall Street Journal (via To Vima); Buenos Aires Times (juíza Capuchetti, com Perfil); Buenos Aires Times (Santilli); AFP (via Buenos Aires Times), Itamaraty
Detalhes e atualizações
PF apura se o governo Milei ajudou Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil; jato que o levou é de empresa citada em caso de corrupção que derrubou ex-advogado de Milei
Segundo O Globo, a Polícia Federal apura se Flávio Bolsonaro teve apoio do governo de Javier Milei para sair do Brasil rumo aos EUA. Um dos indícios é a presença de Santiago Caputo, assessor presidencial de Milei, em Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu, na noite da saída; o La Nación ouviu a mesma informação de fontes do governo argentino, que não a confirmou oficialmente. A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que a família cruzou a ponte às 22h50 de 27 de outubro e embarcou às 23h30 num voo privado. O avião, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, é operado pela Baires Fly, segundo a Folhapress e o La Nación. A empresa é citada na investigação argentina sobre propina em compras de remédios da Andis, a agência para pessoas com deficiência: segundo a Folhapress, fornecedores da agência transferiram dinheiro à Baires Fly, que emitiu faturas por supostos serviços aéreos. O caso derrubou, em agosto de 2025, o diretor da Andis, Diego Spagnuolo, ex-advogado de Milei, gravado em áudios que falavam de propina e citavam Karina Milei, irmã do presidente. Atualização (29 de outubro): na Argentina, o deputado Gabriel Solano (Frente de Esquerda) apresentou denúncia penal contra Milei e funcionários do governo por encobrimento agravado, abuso de autoridade, descumprimento de deveres e peculato; o deputado Esteban Paulón denunciou Milei, o chanceler Pablo Quirno e Caputo por encobrimento agravado; e a deputada Marcela Pagano apresentou denúncia à Justiça Federal de Puerto Iguazú, segundo o elDiarioAR e o Perfil. Denúncia não é acusação formal: até esta atualização, não havia investigação aberta confirmada. Deputados também pediram a interpelação de Quirno, num projeto com 91 perguntas, e do chefe de Gabinete, Diego Santilli. Segundo o Wall Street Journal, um ex-chefe de inteligência argentino disse que Caputo monitorou a operação em Puerto Iguazú, e uma pessoa envolvida disse que ele manteve contato direto com Eduardo Bolsonaro. Atualização (29 e 30 de outubro): a juíza federal argentina María Eugenia Capuchetti, a pedido do Ministério Público, mandou em 29 de outubro abrir medidas preliminares para apurar se o governo Milei ajudou ou encobriu a saída: pediu à Chancelaria que informe se recebeu alertas sobre a situação judicial de Flávio, à Migração um relatório dos controles e as imagens das câmeras da fronteira e do aeroporto, segundo o Perfil e o Buenos Aires Times. A apuração nasceu da denúncia do dirigente do Partido Obrero Gabriel Solano. No mesmo dia, o Itamaraty convocou a encarregada de negócios da Argentina, María Emilia Cortés, para pedir informações sobre a saída, segundo a AFP; uma fonte diplomática brasileira chamou o encontro de “procedimento de rotina”, e nenhum dos dois governos se pronunciou depois. Segundo a Migração argentina, o plano de voo era para Guayaquil, no Equador, de onde a família seguiu para os EUA.
Outro lado: A investigação da PF não concluiu que houve ajuda do governo argentino, e as fontes não provam que a empresa participou de um plano de saída. O dono da Baires Fly, Luis Grande, disse ao Perfil que a empresa só operou um voo contratado por terceiros, que ninguém do governo Milei a procurou e que ela não tem relação com o caso Andis. Pessoas próximas a Caputo negam que ele tenha tido papel na saída. O porta-voz do governo, Adrián Ravier, disse que Flávio não pediu asilo na Argentina. O chefe de Gabinete, Diego Santilli, disse em 29 de outubro: “Entrou pela Migração, não tinha restrições da Interpol”; ele não respondeu se Caputo esteve no aeroporto, e o governo não comentou o suposto papel de Caputo, que chamou a cobertura da imprensa de “um dos maiores vexames jornalísticos da história”. As medidas da juíza são preliminares e não concluem nada.
